Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis. Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas que nunca pensei que iriam me decepcionar, mas também decepcionei alguém. Já abracei pra proteger, já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei, já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, "quebrei a cara" muitas vezes, já chorei ouvindo músicas e vendo fotos, já liguei só pra escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial e acabei perdendo! Mas vivi! E ainda Vivo! Não passo pela vida... e você também não deveria passar. Viva! "Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante."
Charlie Chaplin
sábado, 26 de janeiro de 2008
Calendarístico!
Nada como uma xícara de café com leite com uma fatia de pão com manteiga pra acorda na madrugada de segunda-feira normalzinha, saudando a novíssima semana que vem pela frente. E cotidianamente, a gente vê pelos dias calendaristicos, que não há nada melhor do que um dia após o outro, terça após domingo e assim semana após tempo. Só com o tempo após tempo, é que alguém percebe que o amanhã da centésima-feira pode ser melhor do que o ontem do sábado inútil, de que é possível burlar o histórico estigmatizado do ano passado ou retrasado. Na segunda-feira, ou talvez na quinta as 9:35 da noite, quando já não tem esperança de esperarem surpresas pode ser que alguém se surpreenda. Pode ser que a carta que você nunca esperou chegue ate você e você sorri, meio com medo e meio com quase pedindo desculpas ou licença para sorrir, mas sorria assim mesmo. Pode ser que na terça após o almoço a menina nem tão bela assim, mas nem por isso não a única para você, queira te conhecer. Só pra ver se você é real, e ai você vai fingir que não é real, porque as meninas nem tão belas assim não gostam de meninos reais. Ninguém no fundo gosta de parecer real, os meninos sempre fingem para as meninas nem tão belas assim que não são reais, assim eles parecem espertos... Pode ser também que o espelho colabore com você a noite quando já esta quase na hora de dormir e te encha de orgulho com reverencias pelo seu charme e beleza que ninguém quase nunca vê, mas que é tão óbvio como 2 + 2 = 5. Talvez você devesse usar all star todas as segundas, terças e quintas, e sábados também, mas lembre-se que às vezes o espelho passa uma impressão de mentiroso, mas ele quase nunca tem razão. O domingo não se pode levar em conta, domingos não existem, o dia dos mortos é uma ilusão, são feitos apenas pra encher a folhinha, domingo se você morrer ninguém se Dara conta, só lembrarão de você na segunda, se você não bater o seu cartão. Os meninos espertos sempre morrem no domingo e as meninas nem tão belas sempre dormem no domingo, alias elas sempre dormem, só sabem fazer isso, deveriam saber morrer também, assim como os meninos espertos. Tem muita menina nem tão bela querendo se passar por meninos espertos, mas é mais fácil tirar um sorriso de um paulistano da nada fútil Consolação ou um ferrado carente desprezar seus cinqüenta cigarros leais do que uma nem tão belas assim, conseguir tal façanha. Podem ate tentar, mas terão que nascer de novo e comerem grama com sal. Mas mesmo assim, nunca saberiam ressuscitar na segunda de manha, pois sinto informar que somente os meninos espertos falecem em seus sonhos no domingo, enchem o peito na madrugada e quando o galo canta a cada alvorada, outra folha vira sem nenhuma permissão, com heroísmo imperceptível, mas sempre fundamental.
A cada devaneio.
A cada devaneio, a cada tempestade de idéias contra mim, a cada sonho quebrado, a cada coração partido, despedaçado sem motivos reais. A cada subordinação de minha fuga para meu destino implacável, sempre desencanto e me viro contra mim. A cada caída, a certeza de novas caídas. E portanto novas retomadas, novos recomeços. A cada constatação de uma loucura pessoal, exclusiva e perceptivelmente egocêntrica e isolada, as frestas dos espelhos da aura da vida me estapeia na cara e grita comigo. Mas nem sempre escuto, nem sempre estou acordado, como sempre lamento e volto pra trás. Como sempre me repuxo e puxo-me pra alem dos meus sonhos, ultrapassando os acontecimentos e enxergando novas tempestades, benditas tempestades que transformam. A cada letra pra me explicar, por nada gritar, por escritas abafadas com buscas patéticas, mal resolvidas e quimeramente compreendidas. O sol bate agora e esquenta o som dos raios vitais, sacode os sentidos e invade nossos poros. E a cada sol raramente divino, me lembro de cada devaneio, tempestade e realmente divinos, e tão necessário e vital como a água, como o pão que você sobrevive, que você segura e agoniza. A cada sol, seca a tempestade e anuncia quietação vilã e patética, pálida e insegura, fria e tola. Quero sol e tempestades, quero engessar meu pescoço para não olhar para trás, me estapear toda vez que quiser ignorar as tempestades e proibir de sentir meus segundos de sol.
Perdao nosso de cada dia!
Toda santa vida mais parece uma ciranda de perdões. Hoje você perdoa, amanhã chora pra ser perdoado. E não há na vida quem nunca errou E mais nunca ainda nesta vida Quem pra sempre tenha errado. À tarde a mãe chora pelo perdão da filha, Mais tarde ainda, a filha chora pelo choro da mãe pelo perdão não perdoado. E geração unida Mãe e filha choram mais ainda Quando não dá tempo de lágrima recolhida, De palavra ouvida, E de coração calado. Chora pela falta de paz de coração perdoado. A ciranda gira quando geração unida entende E divinamente compreende Que pro coração fica calado Unicamente é errando que se aprende. E só o erro da sua vida ficando no passado, Merece pela minha vida ser perdoado.
Escrito na noite de 16 de abril de 2oo7, deitado na cama com caneta e papel.
Escrito na noite de 16 de abril de 2oo7, deitado na cama com caneta e papel.
Saudades de um tempo que nao vivi..
Sinto saudade de um tempo que não vivi, engraçado, mas é mais real e provável do que se possa imaginar. Muita gente acha que nasceu na década errada, que nasceu no país errado, que nasceu na família errada... Meu sonho em uma certa fase de minha vida sempre foi morar em um destes países nórdicos, onde é sempre frio, com folhas secas de inverno, ou destes retratados em filmes americanos, que serviam de cenário para os filmes de Maucalain Culkin e para a minha série de tv americana preferida (na minha opinião, a melhor) Dawson’s Creek. Queria falar inglês como eles, usar calças jeans, luvas e gorro o tempo todo, fumar cigarro e ver a fumacinha se misturando com a neblina, brincar de correr entre as árvores de uma daquelas enormes florestas que sempre escondem um riacho, ou então um lago com um barco velho abandonado por alguém. Queria estudar naquelas escolas, embora nem me interessaria dessecar os sapos, e guardar as minhas coisas nos armários daqueles colégios. Detestaria a competição entre os líderes dos jogadores de futebol americano e o desprezível interesse das teenagers pelos melhores jogadores do time. Essa poderia ser a década de 90. Mas a minha preferida é a 80. Ao mesmo tempo em que gosto da calmaria dos lugares paisagísticos e cinematográficos que acabo de descrever, sinto-me profundamente seduzido pelo perigo e pela divertida década do ano em que nasci. A década de 80 rica pela música, por U2 e Cazuza, pelos melhores desenhos animados, alguns exibidos no programa da Xuxa que lançava moda com suas botas e seu figurino, inquestionavelmente trash, concorrendo com o Tom e Jerry, Pernalonga, o saudoso Pica-pau, cavalo de fogo e a princesa Sara, do Tio Silvio Santos que presenteou o Brasil com o genial Chaves, e insistia em empurrar novelas mexicanas goela abaixo do povo brasileiro. No final desta década me lembro de minha mãe reclamar do diabo da inflação, que sempre subia os preços e não permitia ninguém comprar nada. E não deixava mesmo. Pois nunca pude ter um atari, um ferrorama e nem um Supermassa, a alternativa foi me contentar com um pirocóptero e colecionar meus álbuns de figurinhas do chiclete ping-pong, que hoje considero minhas relíquias. Mas enfim, eu não fui adolescente nos anos 80. Não freqüentei as discos e nem acompanhei a moda daquela época. As lembranças daquele lugar fictício ainda continuam vivas na minha memória e um dia quem sabe, talvez eu as reencontre. E definitivamente, minha família não se parece nem um pouco com aquela família do comercial da margarina. Meu pai, diferente do que eu idealizava, nunca usou ternos e gravatas. Mas com suas imperfeições e descaradamente humanizadas, minha família que grita, que berra e que sempre briga, também ama, protege, se une e pede perdão. Talvez sempre tenha vivido num mundinho imaginário, paralelo da realidade, que pudesse me garantir segurança e felicidade. Mas com 22 anos, e cada dia mais aprendendo a viver, sempre descubro que a vida real pode ser mais fantástica, emocionante e principalmente humana do que qualquer outra fuga de vida surreal.
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