sábado, 26 de janeiro de 2008

A cada devaneio.

A cada devaneio, a cada tempestade de idéias contra mim, a cada sonho quebrado, a cada coração partido, despedaçado sem motivos reais. A cada subordinação de minha fuga para meu destino implacável, sempre desencanto e me viro contra mim. A cada caída, a certeza de novas caídas. E portanto novas retomadas, novos recomeços. A cada constatação de uma loucura pessoal, exclusiva e perceptivelmente egocêntrica e isolada, as frestas dos espelhos da aura da vida me estapeia na cara e grita comigo. Mas nem sempre escuto, nem sempre estou acordado, como sempre lamento e volto pra trás. Como sempre me repuxo e puxo-me pra alem dos meus sonhos, ultrapassando os acontecimentos e enxergando novas tempestades, benditas tempestades que transformam. A cada letra pra me explicar, por nada gritar, por escritas abafadas com buscas patéticas, mal resolvidas e quimeramente compreendidas. O sol bate agora e esquenta o som dos raios vitais, sacode os sentidos e invade nossos poros. E a cada sol raramente divino, me lembro de cada devaneio, tempestade e realmente divinos, e tão necessário e vital como a água, como o pão que você sobrevive, que você segura e agoniza. A cada sol, seca a tempestade e anuncia quietação vilã e patética, pálida e insegura, fria e tola. Quero sol e tempestades, quero engessar meu pescoço para não olhar para trás, me estapear toda vez que quiser ignorar as tempestades e proibir de sentir meus segundos de sol.

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